Raio-X:Nome: Bráulio WanderleyIdade: 30 anosEstado civil: solteiro
Profissão: educadorLivro de cabeceira: O Príncipe, A arte da Guerra, O manifesto Comunista
Lazer: ouvir música, ler, andar e conversar com amigos.
Sentimento: igualdade
Além da inconfundível estrela vermelha, há uma outra coisa que Bráulio Wanderley faz questão de não tirar do peito: a paixão pelo Partido dos Trabalhadores e a defesa rígida de que as críticas direcionadas ao partido não possuem força, quando querem generalizar idéia de que todos são iguais à “meia dúzia de corruptos que estão no partido”.
Aos 30 anos, Bráulio expõe uma maturidade e experiência de vida- sobretudo militante- incomum a um jovem de sua idade. Descobriu o dom da política de participação social ainda muito jovem.O seu envolvimento com as causas coletivas se iniciou através de grêmios estudantis, seguiu o roteiro universitário com os Diretórios Acadêmicos e , hoje, configura-se na participação do Sindicato de Professores de Pernambuco, o qual dirige.
Considera, no entanto, que a mobilização política da juventude enfraqueceu-se muito, nos últimos anos. Para ele, o movimento estudantil perdeu a sua essência, cuja última aparição real se deu no movimento “Fora Collor”.
Pernambucano assumido e apaixonado, Bráulio milita na esquerda “desde que se descobriu gente”, ainda na adolescência , em 1989. Diante das crises políticas atuais, é taxativo em dizer que são frutos das esdrúxulas alianças que o PT fez em nome da “governabilidade”. Busca desmistificar a idéia de que o PT era o baluarte da ética e moral políticas, afirmando que “sendo um partido feito por homens, seres falíveis, o partido também o é”.
Essencialmente político, Bráulio não está alheio às inerentes mudanças no Sistema Político brasileiro, sobretudo no que se refere à tão esperada reforma. Vê no item “fidelidade partidária” a possibilidade de mudanças consistentes, desde que se defina, com propriedade, o que significa isso nos princípios da nossa estruturação política.
domingo, 4 de novembro de 2007
sábado, 3 de novembro de 2007
Um olhar crítico sobre a web
No seu trabalho de análise, Inês Mendes Moreira busca acentuar a visão a respeito da forma como o Jornalismo on line passou a influenciar os outros mecanismos jornalísticos, cujos profissionais também passaram por modificações sob o impacto do ciberespaço. Reflete sobre a internet tornando-se o meio de comunicação que mais torna visível a convergência dos media , ratificando o que já afirmara Carl Steep (1996).
Para Sandoval (2000), está, na verdade, havendo a transformação dos modos de acesso à informação. Isso, dado ao fato de que a internet “inventou” um novo tipo de comunicação, absolutamente adequado às características da sociedade moderna - sua rapidez, necessidade de síntese e simplificação da linguagem.
“A nova realidade “ na visão de Pavlik (2001) , fez com que o jornalismo de outros media se modificasse , levando, também, o jornalista a exercer um novo papel : o de intérprete da notícia. Além disso, Pavlik afirma que esse novo mecanismo tem sido importante elemento de ligação entre as comunidades, inclusive mundiais.
È certo que a internet impôs ao jornalismo mudanças na busca, no processamento e na difusão de informação. Além disso, fez com que o jornalista passasse a ser mais que um contador de história. Isso requer que a formação acadêmica desse profissional também seja revisto em sua prática, pois o jornalista desta nova era é exigido conhecimento técnico que lhe possibilite saber usar a web, produzir áudio, vídeo digital , buscando adicionar essas práticas ao texto. Tais modificações também são indicadas por Concha Edo (2000), que enfatiza a necessidade de que o jornalista seja uma fonte de informação para os meios de comunicação. Esse cenário obriga, claramente, a uma especialização crescente por parte de quem seleciona e decodifica a informação para o grande público- o jornalista- que necessitará, cada vez mais, de possuir formação superior e de fazer formação ao longo da vida. Esse aspecto aponta para qual deve ser o perfil curricular dos cursos de jornalismo. A abundância de fontes e de informação é um dos fatores que mais incentivará o processo de especialização jornalística.
Steep (1996) aborda a possibilidade que o jornalismo multimídia dá ao profissional para que este escreva de maneira versátil, dinâmica - isso inclui, segundo Ruth Gersh (1996), o trabalho com fotos e vídeos. Para Christopher Harper (1998), o importante, nesse novo contexto jornalístico, não é saber manejar instrumentos caros, mas, sim, ter a sensibilidade de captar e organizar, com bom senso, a notícia, de modo a fazê-la atraente ao público. A razão de tal exigência é que o jornalismo on line não dispensa do profissional as habilidades e competências da prática tradicional, fazendo as devidas adaptações à internet. Naturalmente, lançar-se ao mundo da web requer do jornalista, como requisito básico, a paixão por esse meio de produzir a notícia.
A ética constitui-se um dos elementos mais exigidos nesse processo, visto que o dinamismo pede, em algum momento, sobrepor-se à necessidade de apuração quanto à verdade dos fatos. Ademais, o ritmo on line não deve ser desculpa para que um texto seja exposto sem que, antes, tenha passado pela análise de edição , de acordo com Moreira.
Para Lasica (1997), é coerente afirmar que assim como a chegada da televisão modificou o perfil do jornalismo, a internet tem ditado novas regras à prática da profissão. Isso, no entanto, nem de longe, significa a extinção do jornalismo; mas, sim, a reformulação do trabalho da notícia – visão de Bastos (2000), compartilhada por outros estudiosos. Há , ainda, o conceito de pensadores que prevêem, para um futuro próximo, a possível falência da profissão de jornalista. Para estes, tal processo se daria pelo fato de as fontes primárias do jornalismo terem sido colocadas ao total alcance do público pela internet.
No universo on line , o jornalista passou , portanto, a assumir uma função nova, sem necessariamente, ter se desligado do seu papel fundamentado no modelo convencional.
A verdade é que o exercício de “filtragem” da informação no vasto e aberto mundo da internet é uma das mais importantes funções do jornalista nesse novo ambiente.
O ciberespaço, delineando esse novo perfil, de acordo com Moretzson (2000) promove estímulo à busca pela renovação do papel mediador do jornalista e, jamais, do fim da função gatekeeper deste.
Todas essas considerações levam-nos a perceber que o perfil de intérprete e mediador do jornalista é a grande fundamentação da prática no jornalismo on line. E isso, inevitavelmente, tem sido levado aos outros medias. Portanto, ao contrário do que se possa dizer sobre a falência da profissão de jornalista nessa nova era, ele tem à sua frente, a imensidão do ciberespaço. E é neste vasto mundo que terá essencial papel de elaborador da informação, como salienta Giner (1997). Certamente, o trabalho de Inês Mendes Moreira está longe de esgotar a necessidade de pesquisa sobre esse novo território da notícia. Fato é que mostra a emergência em fazê-lo, sobretudo no meio acadêmico, donde se originam os profissionais que atuarão no, tantas vezes, incógnita mundo virtual.
Para Sandoval (2000), está, na verdade, havendo a transformação dos modos de acesso à informação. Isso, dado ao fato de que a internet “inventou” um novo tipo de comunicação, absolutamente adequado às características da sociedade moderna - sua rapidez, necessidade de síntese e simplificação da linguagem.
“A nova realidade “ na visão de Pavlik (2001) , fez com que o jornalismo de outros media se modificasse , levando, também, o jornalista a exercer um novo papel : o de intérprete da notícia. Além disso, Pavlik afirma que esse novo mecanismo tem sido importante elemento de ligação entre as comunidades, inclusive mundiais.
È certo que a internet impôs ao jornalismo mudanças na busca, no processamento e na difusão de informação. Além disso, fez com que o jornalista passasse a ser mais que um contador de história. Isso requer que a formação acadêmica desse profissional também seja revisto em sua prática, pois o jornalista desta nova era é exigido conhecimento técnico que lhe possibilite saber usar a web, produzir áudio, vídeo digital , buscando adicionar essas práticas ao texto. Tais modificações também são indicadas por Concha Edo (2000), que enfatiza a necessidade de que o jornalista seja uma fonte de informação para os meios de comunicação. Esse cenário obriga, claramente, a uma especialização crescente por parte de quem seleciona e decodifica a informação para o grande público- o jornalista- que necessitará, cada vez mais, de possuir formação superior e de fazer formação ao longo da vida. Esse aspecto aponta para qual deve ser o perfil curricular dos cursos de jornalismo. A abundância de fontes e de informação é um dos fatores que mais incentivará o processo de especialização jornalística.
Steep (1996) aborda a possibilidade que o jornalismo multimídia dá ao profissional para que este escreva de maneira versátil, dinâmica - isso inclui, segundo Ruth Gersh (1996), o trabalho com fotos e vídeos. Para Christopher Harper (1998), o importante, nesse novo contexto jornalístico, não é saber manejar instrumentos caros, mas, sim, ter a sensibilidade de captar e organizar, com bom senso, a notícia, de modo a fazê-la atraente ao público. A razão de tal exigência é que o jornalismo on line não dispensa do profissional as habilidades e competências da prática tradicional, fazendo as devidas adaptações à internet. Naturalmente, lançar-se ao mundo da web requer do jornalista, como requisito básico, a paixão por esse meio de produzir a notícia.
A ética constitui-se um dos elementos mais exigidos nesse processo, visto que o dinamismo pede, em algum momento, sobrepor-se à necessidade de apuração quanto à verdade dos fatos. Ademais, o ritmo on line não deve ser desculpa para que um texto seja exposto sem que, antes, tenha passado pela análise de edição , de acordo com Moreira.
Para Lasica (1997), é coerente afirmar que assim como a chegada da televisão modificou o perfil do jornalismo, a internet tem ditado novas regras à prática da profissão. Isso, no entanto, nem de longe, significa a extinção do jornalismo; mas, sim, a reformulação do trabalho da notícia – visão de Bastos (2000), compartilhada por outros estudiosos. Há , ainda, o conceito de pensadores que prevêem, para um futuro próximo, a possível falência da profissão de jornalista. Para estes, tal processo se daria pelo fato de as fontes primárias do jornalismo terem sido colocadas ao total alcance do público pela internet.
No universo on line , o jornalista passou , portanto, a assumir uma função nova, sem necessariamente, ter se desligado do seu papel fundamentado no modelo convencional.
A verdade é que o exercício de “filtragem” da informação no vasto e aberto mundo da internet é uma das mais importantes funções do jornalista nesse novo ambiente.
O ciberespaço, delineando esse novo perfil, de acordo com Moretzson (2000) promove estímulo à busca pela renovação do papel mediador do jornalista e, jamais, do fim da função gatekeeper deste.
Todas essas considerações levam-nos a perceber que o perfil de intérprete e mediador do jornalista é a grande fundamentação da prática no jornalismo on line. E isso, inevitavelmente, tem sido levado aos outros medias. Portanto, ao contrário do que se possa dizer sobre a falência da profissão de jornalista nessa nova era, ele tem à sua frente, a imensidão do ciberespaço. E é neste vasto mundo que terá essencial papel de elaborador da informação, como salienta Giner (1997). Certamente, o trabalho de Inês Mendes Moreira está longe de esgotar a necessidade de pesquisa sobre esse novo território da notícia. Fato é que mostra a emergência em fazê-lo, sobretudo no meio acadêmico, donde se originam os profissionais que atuarão no, tantas vezes, incógnita mundo virtual.
terça-feira, 2 de outubro de 2007
DILMA ROUSSEF ; A PODEROSA DO PLANALTO
30/09/2007
Dilma articula candidatura à sucessão de Lula
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KENNEDY ALENCARColunista da Folha Online
Ela é poderosa. Ela é uma das duas opções do bolso do colete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a sucessão de 2010 --a outra é o governador Jaques Wagner (BA). Ela foi picada pela mosca azul, aquela que estimula sonhos com as elegantes colunas que Oscar Niemeyer desenhou para o Palácio da Alvorada.
A ministra Dilma Rousseff chegou à Casa Civil em junho de 2005 para ser a gerente do governo. Já era muita coisa. Substituiu o até então insubstituível José Dirceu de Oliveira e Silva, o principal arquiteto da inflexão do PT ao centro na política e na economia --movimento que pavimentou o caminho de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República.
Hoje, Dilma é mais do que a gerente do governo. Estimulada por Lula, ela dá evidências de que pretende entrar no pesado jogo político-eleitoral. O presidente já lhe deu carta branca para surfar politicamente nas realizações do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), plano petista para melhorar a oferta de energia e a infra-estrutura do país nos próximos anos.
Além da parte administrativa da gestão lulista, ela arbitra politicamente indicações para os principais cargos federais. Ela tem como companheiro no Palácio do Planalto um combalido articulador político, o ministro Walfrido dos Mares Guia, que não tem autonomia para nomear um ascensorista sem falar com ela. Dilma manda bastante nos mais variados assuntos e muito no sistema elétrico brasileiro.
Com a saída de Silas Rondeau das Minas e Energia, um indicado do senador peemedebista e ex-presidente José Sarney (AP) que não dava um passo sem consultá-la, Dilma deslocou Nelson Hubner para uma interinidade que se prolonga e irrita o PMDB do Senado. Nesse período, ela tirou de peemedebistas aproximadamente 50 cargos na pasta. E os entregou a petistas.
Na Petrobras, Dilma obteve uma grande vitória. Tão grande que abalou a coalizão parlamentar do governo e elevou os preços do mercado fisiológico para aprovação de projetos de interesse do governo no Congresso. Na Petrobras, teve uma vitória com sofisticação política.
Fez uma operação casada para acomodar uma indicação pessoal, Maria das Graças Foster, na poderosa diretoria de Gás e Energia. Foster presidia a BR Distribuidora, subsidiária que foi dada ao ex-senador e ex-presidente da Petrobras José Eduardo Dutra. No dominó, Dutra foi para a cadeira de Foster que foi para a cadeira de Ildo Sauer, este um petista que saiu destilando veneno contra o biodiesel, programa caro a Lula e a Dilma.
Como a reforma política voltou, infelizmente, a ser uma miragem política, o jogo eleitoral continua com as mesmas regras econômicas. E esse jogo não dispensa estratégicas relações cordiais com grandes empresas. Exemplo: ao tratar das usinas hidrelétricas do rio Madeira, a ministra da Casa Civil tomou partido da empreiteira Camargo Corrêa durante certo tempo.
A Camargo questiona a parceria Odebrecht-Furnas, mais bem posicionada para as obras do Madeira, as usinas de Jirau e de Santo Antonio. Nos bastidores, Dilma chegou a articular uma proposta de acordo para divisão das usinas entre Odebrecht e Camargo. Cada uma das grandes empreiteiras levaria a construção de uma usina. A Odebrecht não topou, e uma disputa empresarial por um negócio que pode alcançar os R$ 30 bilhões ameaça o projeto. Apesar disso, restou uma certeza entre os representantes das empreiteiras. A ministra da Casa Civil não brinca em serviço, nem quando vai ao limite da liturgia do cargo.
Em entrevista ao jornal "Valor", Dilma disse com todas as letras: "É importante uma relação íntima entre setor público e setor privado". E passou a defender as razões para o governo incentivar negócios de grandes grupos econômicos nacionais.
De certa forma, Dilma segue os passos de Antonio Palocci Filho: cultivar uma relação tão boa com o PIB nacional como tucanos do naipe de José Serra, hoje o presidenciável favorito na disputa interna do PSDB.
Lula já deixa claro em conversas reservadas que deseja ter apenas um candidato a presidente em 2010 para ressuscitar uma disputa plebiscitária contra os tucanos. Algo na linha: "Vamos comparar os oitos anos do PSDB de Fernando Henrique Cardoso com os oito anos do PT de Luiz Inácio Lula da Silva". Num cenário assim, o petista embarcaria com todas as forças no projeto Dilma.
Integrantes do governo, dirigentes petistas, políticos de partidos aliados e empresários que têm falado com Dilma saem com uma forte impressão: ela deseja alçar vôo ainda mais alto na política. A mosca azul a picou para valer.
Dilma articula candidatura à sucessão de Lula
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KENNEDY ALENCARColunista da Folha Online
Ela é poderosa. Ela é uma das duas opções do bolso do colete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a sucessão de 2010 --a outra é o governador Jaques Wagner (BA). Ela foi picada pela mosca azul, aquela que estimula sonhos com as elegantes colunas que Oscar Niemeyer desenhou para o Palácio da Alvorada.
A ministra Dilma Rousseff chegou à Casa Civil em junho de 2005 para ser a gerente do governo. Já era muita coisa. Substituiu o até então insubstituível José Dirceu de Oliveira e Silva, o principal arquiteto da inflexão do PT ao centro na política e na economia --movimento que pavimentou o caminho de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República.
Hoje, Dilma é mais do que a gerente do governo. Estimulada por Lula, ela dá evidências de que pretende entrar no pesado jogo político-eleitoral. O presidente já lhe deu carta branca para surfar politicamente nas realizações do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), plano petista para melhorar a oferta de energia e a infra-estrutura do país nos próximos anos.
Além da parte administrativa da gestão lulista, ela arbitra politicamente indicações para os principais cargos federais. Ela tem como companheiro no Palácio do Planalto um combalido articulador político, o ministro Walfrido dos Mares Guia, que não tem autonomia para nomear um ascensorista sem falar com ela. Dilma manda bastante nos mais variados assuntos e muito no sistema elétrico brasileiro.
Com a saída de Silas Rondeau das Minas e Energia, um indicado do senador peemedebista e ex-presidente José Sarney (AP) que não dava um passo sem consultá-la, Dilma deslocou Nelson Hubner para uma interinidade que se prolonga e irrita o PMDB do Senado. Nesse período, ela tirou de peemedebistas aproximadamente 50 cargos na pasta. E os entregou a petistas.
Na Petrobras, Dilma obteve uma grande vitória. Tão grande que abalou a coalizão parlamentar do governo e elevou os preços do mercado fisiológico para aprovação de projetos de interesse do governo no Congresso. Na Petrobras, teve uma vitória com sofisticação política.
Fez uma operação casada para acomodar uma indicação pessoal, Maria das Graças Foster, na poderosa diretoria de Gás e Energia. Foster presidia a BR Distribuidora, subsidiária que foi dada ao ex-senador e ex-presidente da Petrobras José Eduardo Dutra. No dominó, Dutra foi para a cadeira de Foster que foi para a cadeira de Ildo Sauer, este um petista que saiu destilando veneno contra o biodiesel, programa caro a Lula e a Dilma.
Como a reforma política voltou, infelizmente, a ser uma miragem política, o jogo eleitoral continua com as mesmas regras econômicas. E esse jogo não dispensa estratégicas relações cordiais com grandes empresas. Exemplo: ao tratar das usinas hidrelétricas do rio Madeira, a ministra da Casa Civil tomou partido da empreiteira Camargo Corrêa durante certo tempo.
A Camargo questiona a parceria Odebrecht-Furnas, mais bem posicionada para as obras do Madeira, as usinas de Jirau e de Santo Antonio. Nos bastidores, Dilma chegou a articular uma proposta de acordo para divisão das usinas entre Odebrecht e Camargo. Cada uma das grandes empreiteiras levaria a construção de uma usina. A Odebrecht não topou, e uma disputa empresarial por um negócio que pode alcançar os R$ 30 bilhões ameaça o projeto. Apesar disso, restou uma certeza entre os representantes das empreiteiras. A ministra da Casa Civil não brinca em serviço, nem quando vai ao limite da liturgia do cargo.
Em entrevista ao jornal "Valor", Dilma disse com todas as letras: "É importante uma relação íntima entre setor público e setor privado". E passou a defender as razões para o governo incentivar negócios de grandes grupos econômicos nacionais.
De certa forma, Dilma segue os passos de Antonio Palocci Filho: cultivar uma relação tão boa com o PIB nacional como tucanos do naipe de José Serra, hoje o presidenciável favorito na disputa interna do PSDB.
Lula já deixa claro em conversas reservadas que deseja ter apenas um candidato a presidente em 2010 para ressuscitar uma disputa plebiscitária contra os tucanos. Algo na linha: "Vamos comparar os oitos anos do PSDB de Fernando Henrique Cardoso com os oito anos do PT de Luiz Inácio Lula da Silva". Num cenário assim, o petista embarcaria com todas as forças no projeto Dilma.
Integrantes do governo, dirigentes petistas, políticos de partidos aliados e empresários que têm falado com Dilma saem com uma forte impressão: ela deseja alçar vôo ainda mais alto na política. A mosca azul a picou para valer.
DILMA ROUSSEF ; A PODEROSA DO PLANALTO
30/09/2007
Dilma articula candidatura à sucessão de Lula
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KENNEDY ALENCARColunista da Folha Online
Ela é poderosa. Ela é uma das duas opções do bolso do colete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a sucessão de 2010 --a outra é o governador Jaques Wagner (BA). Ela foi picada pela mosca azul, aquela que estimula sonhos com as elegantes colunas que Oscar Niemeyer desenhou para o Palácio da Alvorada.
A ministra Dilma Rousseff chegou à Casa Civil em junho de 2005 para ser a gerente do governo. Já era muita coisa. Substituiu o até então insubstituível José Dirceu de Oliveira e Silva, o principal arquiteto da inflexão do PT ao centro na política e na economia --movimento que pavimentou o caminho de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República.
Hoje, Dilma é mais do que a gerente do governo. Estimulada por Lula, ela dá evidências de que pretende entrar no pesado jogo político-eleitoral. O presidente já lhe deu carta branca para surfar politicamente nas realizações do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), plano petista para melhorar a oferta de energia e a infra-estrutura do país nos próximos anos.
Além da parte administrativa da gestão lulista, ela arbitra politicamente indicações para os principais cargos federais. Ela tem como companheiro no Palácio do Planalto um combalido articulador político, o ministro Walfrido dos Mares Guia, que não tem autonomia para nomear um ascensorista sem falar com ela. Dilma manda bastante nos mais variados assuntos e muito no sistema elétrico brasileiro.
Com a saída de Silas Rondeau das Minas e Energia, um indicado do senador peemedebista e ex-presidente José Sarney (AP) que não dava um passo sem consultá-la, Dilma deslocou Nelson Hubner para uma interinidade que se prolonga e irrita o PMDB do Senado. Nesse período, ela tirou de peemedebistas aproximadamente 50 cargos na pasta. E os entregou a petistas.
Na Petrobras, Dilma obteve uma grande vitória. Tão grande que abalou a coalizão parlamentar do governo e elevou os preços do mercado fisiológico para aprovação de projetos de interesse do governo no Congresso. Na Petrobras, teve uma vitória com sofisticação política.
Fez uma operação casada para acomodar uma indicação pessoal, Maria das Graças Foster, na poderosa diretoria de Gás e Energia. Foster presidia a BR Distribuidora, subsidiária que foi dada ao ex-senador e ex-presidente da Petrobras José Eduardo Dutra. No dominó, Dutra foi para a cadeira de Foster que foi para a cadeira de Ildo Sauer, este um petista que saiu destilando veneno contra o biodiesel, programa caro a Lula e a Dilma.
Como a reforma política voltou, infelizmente, a ser uma miragem política, o jogo eleitoral continua com as mesmas regras econômicas. E esse jogo não dispensa estratégicas relações cordiais com grandes empresas. Exemplo: ao tratar das usinas hidrelétricas do rio Madeira, a ministra da Casa Civil tomou partido da empreiteira Camargo Corrêa durante certo tempo.
A Camargo questiona a parceria Odebrecht-Furnas, mais bem posicionada para as obras do Madeira, as usinas de Jirau e de Santo Antonio. Nos bastidores, Dilma chegou a articular uma proposta de acordo para divisão das usinas entre Odebrecht e Camargo. Cada uma das grandes empreiteiras levaria a construção de uma usina. A Odebrecht não topou, e uma disputa empresarial por um negócio que pode alcançar os R$ 30 bilhões ameaça o projeto. Apesar disso, restou uma certeza entre os representantes das empreiteiras. A ministra da Casa Civil não brinca em serviço, nem quando vai ao limite da liturgia do cargo.
Em entrevista ao jornal "Valor", Dilma disse com todas as letras: "É importante uma relação íntima entre setor público e setor privado". E passou a defender as razões para o governo incentivar negócios de grandes grupos econômicos nacionais.
De certa forma, Dilma segue os passos de Antonio Palocci Filho: cultivar uma relação tão boa com o PIB nacional como tucanos do naipe de José Serra, hoje o presidenciável favorito na disputa interna do PSDB.
Lula já deixa claro em conversas reservadas que deseja ter apenas um candidato a presidente em 2010 para ressuscitar uma disputa plebiscitária contra os tucanos. Algo na linha: "Vamos comparar os oitos anos do PSDB de Fernando Henrique Cardoso com os oito anos do PT de Luiz Inácio Lula da Silva". Num cenário assim, o petista embarcaria com todas as forças no projeto Dilma.
Integrantes do governo, dirigentes petistas, políticos de partidos aliados e empresários que têm falado com Dilma saem com uma forte impressão: ela deseja alçar vôo ainda mais alto na política. A mosca azul a picou para valer.
Dilma articula candidatura à sucessão de Lula
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Ela é poderosa. Ela é uma das duas opções do bolso do colete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a sucessão de 2010 --a outra é o governador Jaques Wagner (BA). Ela foi picada pela mosca azul, aquela que estimula sonhos com as elegantes colunas que Oscar Niemeyer desenhou para o Palácio da Alvorada.
A ministra Dilma Rousseff chegou à Casa Civil em junho de 2005 para ser a gerente do governo. Já era muita coisa. Substituiu o até então insubstituível José Dirceu de Oliveira e Silva, o principal arquiteto da inflexão do PT ao centro na política e na economia --movimento que pavimentou o caminho de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República.
Hoje, Dilma é mais do que a gerente do governo. Estimulada por Lula, ela dá evidências de que pretende entrar no pesado jogo político-eleitoral. O presidente já lhe deu carta branca para surfar politicamente nas realizações do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), plano petista para melhorar a oferta de energia e a infra-estrutura do país nos próximos anos.
Além da parte administrativa da gestão lulista, ela arbitra politicamente indicações para os principais cargos federais. Ela tem como companheiro no Palácio do Planalto um combalido articulador político, o ministro Walfrido dos Mares Guia, que não tem autonomia para nomear um ascensorista sem falar com ela. Dilma manda bastante nos mais variados assuntos e muito no sistema elétrico brasileiro.
Com a saída de Silas Rondeau das Minas e Energia, um indicado do senador peemedebista e ex-presidente José Sarney (AP) que não dava um passo sem consultá-la, Dilma deslocou Nelson Hubner para uma interinidade que se prolonga e irrita o PMDB do Senado. Nesse período, ela tirou de peemedebistas aproximadamente 50 cargos na pasta. E os entregou a petistas.
Na Petrobras, Dilma obteve uma grande vitória. Tão grande que abalou a coalizão parlamentar do governo e elevou os preços do mercado fisiológico para aprovação de projetos de interesse do governo no Congresso. Na Petrobras, teve uma vitória com sofisticação política.
Fez uma operação casada para acomodar uma indicação pessoal, Maria das Graças Foster, na poderosa diretoria de Gás e Energia. Foster presidia a BR Distribuidora, subsidiária que foi dada ao ex-senador e ex-presidente da Petrobras José Eduardo Dutra. No dominó, Dutra foi para a cadeira de Foster que foi para a cadeira de Ildo Sauer, este um petista que saiu destilando veneno contra o biodiesel, programa caro a Lula e a Dilma.
Como a reforma política voltou, infelizmente, a ser uma miragem política, o jogo eleitoral continua com as mesmas regras econômicas. E esse jogo não dispensa estratégicas relações cordiais com grandes empresas. Exemplo: ao tratar das usinas hidrelétricas do rio Madeira, a ministra da Casa Civil tomou partido da empreiteira Camargo Corrêa durante certo tempo.
A Camargo questiona a parceria Odebrecht-Furnas, mais bem posicionada para as obras do Madeira, as usinas de Jirau e de Santo Antonio. Nos bastidores, Dilma chegou a articular uma proposta de acordo para divisão das usinas entre Odebrecht e Camargo. Cada uma das grandes empreiteiras levaria a construção de uma usina. A Odebrecht não topou, e uma disputa empresarial por um negócio que pode alcançar os R$ 30 bilhões ameaça o projeto. Apesar disso, restou uma certeza entre os representantes das empreiteiras. A ministra da Casa Civil não brinca em serviço, nem quando vai ao limite da liturgia do cargo.
Em entrevista ao jornal "Valor", Dilma disse com todas as letras: "É importante uma relação íntima entre setor público e setor privado". E passou a defender as razões para o governo incentivar negócios de grandes grupos econômicos nacionais.
De certa forma, Dilma segue os passos de Antonio Palocci Filho: cultivar uma relação tão boa com o PIB nacional como tucanos do naipe de José Serra, hoje o presidenciável favorito na disputa interna do PSDB.
Lula já deixa claro em conversas reservadas que deseja ter apenas um candidato a presidente em 2010 para ressuscitar uma disputa plebiscitária contra os tucanos. Algo na linha: "Vamos comparar os oitos anos do PSDB de Fernando Henrique Cardoso com os oito anos do PT de Luiz Inácio Lula da Silva". Num cenário assim, o petista embarcaria com todas as forças no projeto Dilma.
Integrantes do governo, dirigentes petistas, políticos de partidos aliados e empresários que têm falado com Dilma saem com uma forte impressão: ela deseja alçar vôo ainda mais alto na política. A mosca azul a picou para valer.
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